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	<title>Consumo, logo existo</title>
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	<description>Projeto Experimental do curso de Comunicação Social do Bom Jesus/IELUSC. Acadêmico: Bruno Arins. Orientadora: Graziela Bianchi.</description>
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		<title>Rosália</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Dec 2011 18:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que iniciei meu projeto, sempre tive vontade de entrevistar um idoso para analisar seu comportamento de consumo. Considero o respeito e o contato com os mais velhos muito importante, pois nos permite ter uma visão mais consciente e esclarecida do mundo. Justamente por serem mais vividos, eles têm opiniões sólidas, apesar de saudosistas. Digo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=83&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que iniciei meu projeto, sempre tive vontade de entrevistar um idoso para analisar seu comportamento de consumo. Considero o respeito e o contato com os mais velhos muito importante, pois nos permite ter uma visão mais consciente e esclarecida do mundo. Justamente por serem mais vividos, eles têm opiniões sólidas, apesar de saudosistas. Digo isso porque muitos costumam dizer que, no passado, as pessoas agiam muito mais pelo próximo, e não por seu próprio interesse. Porém, mesmo saudosista, esta eterna comparação que eles fazem entre a sociedade atual e a de antigamente me intriga por fazer realmente sentido, já que os idosos de hoje viveram o período anterior à Segunda Guerra Mundial, quando o capitalismo ainda não havia iniciado sua história desbravadora do mundo ocidental.</p>
<p>É engraçado como há coisas que parecem acontecer por acaso. Simplesmente parecem, pois na realidade, elas têm algum motivo para acontecer, mas que nos permanece misterioso. Antes mesmo de eu iniciar os meus encontros, conheci a entrevistada de hoje de forma ocasional, quando estava no período de concluir o artigo científico que embasa este projeto. Eu estava chegando à faculdade, encalorado pela pressa e angustiado pelo prazo de entrega do projeto, quando me deparei com uma reunião de pessoas no pátio, próximas à Igreja da Paz. Entre elas, havia uma senhora muito serena que me chamou a atenção, sentada um pouco distante da maioria. Sabe quando você tem um pensamento momentâneo que o leva a agir imediatamente? Meu pensamento me dizia para conversar com aquela ela. E foi o que fiz.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09480_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-85" title="Rosália Drefahl" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09480_resize.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Rosália Drefahl, 70 anos, é uma doce senhora, mãe de sete filhos, que se disponibilizou prontamente em me ajudar na minha pesquisa. Na ocasião em que a conheci, ela aguardava pelo início distribuição de cestas básicas pela Secretaria de Diaconia e Assistência Social da Igreja Luterana, serviço sob responsabilidade da OASE &#8211; Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas. Ela me contou que, mensalmente, se desloca até ali com seu carrinho de compras para participar de uma espécie de ritual espiritual que, em seguida, era encerrado com a distribuição dos mantimentos. Nem precisei sugerir de acompanhá-la no seu compromisso, ela já me convidou a participar ali mesmo, faltando poucos minutos para o início. Rapidamente, apanhei uma câmera fotográfica e um gravador de áudio para registrar, entusiasmado, a primeira entrevista do meu projeto.</p>
<p>Dona Rosália (vou chamá-la assim, com este típico pronome de tratamento, porque me parece desrespeitoso não fazê-lo – mesmo que este projeto não diferencie as pessoas) tem 70 anos de idade e vive nos fundos da cada de um de seus filhos no bairro Boa Vista, em Joinville. Logo no início da conversa, ela revela o desaparecimento de um deles, há 22 anos, como a causa de sua infelicidade. Foi este fato que, basicamente, norteou a nossa conversa. Não por eu ter feito dele o assunto central, mas porque aquela senhora parecia sofrer muito por seu filho desaparecido e, por isso, sentia a necessidade de expressar sua dor a quem quer que fosse &#8211; até mesmo a mim, um estranho até então. Quando questionada sobre a busca pelo seu filho, ela responde: “Já fiz de tudo, mas nada adiantou. Eu só choro de saudade todos os dias. De manhã, antes do café, eu dobro meus joelhos e começo a orar em jejum, pedindo a Deus pela volta do meu filho. Quando a dor é demais e me dói a raiz do coração, eu me jogo na cama e choro como uma criança. Aí levanto de novo, continuo a orar e chorar. Eu peço: Senhor, eu boto meu filho em Tuas mãos, pois Tu sabes o que faz. Se ele casou e constituiu uma família, que o abençoe e seja feliz. Se ele está preso, liberte-o. Se ele está caído na rua, levante-o. Se ele já partiu deste mundo pra outro, dê a ele o descanso eterno. Mas revela onde está meu filho, Senhor, que eu não quero morrer sem ter notícias dele.”</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09487_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-86" title="Rosália Drefahl" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09487_resize.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Eu costumo valorizar muito a história das pessoas e fiz questão de ouvir tudo o que Dona Rosália tinha a me falar. Quis deixá-la a vontade para me contar sua história de vida marcada por constantes perdas e pela luta contínua pela sobrevivência. Essa luta começou há 43 anos, quando perdeu seu marido em um trágico incêndio na casa do seu pai, sogro de Rosália. Naquele momento, o seu filho mais novo ainda não havia nem nascido e o mais velho tinha apenas 10 anos de idade. Desamparada, ela colocou os filhos sob os cuidados de um asilo e foi trabalhar como diarista para sustentar a família. Essa foi sua primeira perda. “Eu passava chorando pelo  asilo quando ia trabalhar. Eu nunca os abandonei.” Os filhos cresceram longe de sua presença, vivendo distantes da mãe, que só os tinha por perto aos finais de semana. “Eu tive que arregaçar as mangas pra criar meus filhos. Eu me virava, não deixava meus filhos passarem fome”. Apesar de tudo, eles não reconheceram seu sacrifício e se revoltaram por terem sido supostamente abandonados pela própria mãe. “Eu tinha que trabalhar. Eu até estudei, fiz o Mobral aos 33 anos para poder criá-los melhor”. Hoje, felizmente esta realidade mudou, mas na época, um deles sentia-se tão desamparado a ponto de maltratar Dona Rosália. Denunciado à polícia por um dos irmãos, ele fugiu e nunca mais voltou. Sem ressentimentos, esta senhora espera por este filho até hoje, há 22 anos.</p>
<p>Mais perdas. Outros dois de seus filhos faleceram aos 34 e 44 anos de idade, respectivamente. Com os filhos já criados e crescidos, Dona Rosália aposentou-se por invalidez aos 49 anos, devido à bronquite asmática. Ainda assim, trabalhava aqui e ali para, agora, sustentar a si mesma, já que, segundo ela, os filhos também não tinham condições de ajudá-la. Toda essa história poderia ter sido diferente se um fato não tivesse acontecido: com a morte do marido, a família dele ficou com toda a indenização e os bens, deixando Dona Rosália somente com um salário mínimo mensal de pensão. Todo o dinheiro e as terras de direito de Dona Rosália e de seus filhos foram roubados por um de seus cunhados. Ao falar sobre isso, ela se sente envergonhada por possuir mágoa da família de seu marido.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09491_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-87" title="Rosália Drefahl" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09491_resize.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Ela relatou este ocorrido quando lhe perguntei sobre a diferença entre a sociedade em que ela vivia quando seu marido ainda era vivo e a de hoje. “Sinto saudades daquele tempo”. A primeira coisa que ela cita é que atualmente as pessoas dão muito mais valor ao trabalho do que à família, e que só pensam em si mesmas. Esta situação me fez pensar imediatamente na submissão dos indivíduos ao sistema capitalista, que os induz a certas atitudes que transcendem seus valores, muitas vezes de forma inconsciente. Eu mesmo sou um exemplo disso. Apesar de não concordar com a quantidade absurda de automóveis em nossa cidade, provocada pelo aumento do poder de compra da população e pela facilidade de acesso ao consumo, não dispenso uma carona ao trabalho e à faculdade quando preciso. Porém, isto não chega a afetar meus valores éticos e morais.</p>
<p>No caso do fato cometido contra Dona Rosália, a situação vai um pouco mais além. O indivíduo estava claramente consciente de seus atos, mas seduzido pela oferta de dinheiro e bens de consumo, passou por cima de seus valores (se é que podemos dizer que uma pessoa com tal atitude ainda possui valores) para seu próprio prazer, sem levar em conta as consequências para o próximo, nem a injustiça que estava cometendo. Puro individualismo.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09499_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-89" title="Rosália Drefahl" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09499_resize.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Isto está ligado à forma com que o capitalismo se prende aos indivíduos e retira deles toda a sua força, até que não reste mais nada. É a teoria do parasita de que Zygmunt Bauman fala em <em>Capitalismo parasitário</em> (Zahar, 2010). Aqui, o sociólogo compara o capitalismo a uma espécie de organismo parasitário que, como o próprio nome indica, se instala em determinado ambiente e suga todas as energias possíveis pelo tempo que suportar o seu hospedeiro e, com isso, removendo toda a sua energia potencial e destruindo-o. Nas palavras, de Bauman, &#8220;sem meias palavras, o capitalismo é um sistema parasitário. Como todos os parasitas, pode prosperar durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento. Mas não pode fazer isso sem prejudicar o hospedeiro, destruindo assim, cedo ou tarde, as condições de sua prosperidade ou mesmo de sua sobrevivência&#8221;.</p>
<p>Hoje, Dona Rosália não sofre mais de parasitismo, e se mostra livre de quaisquer dificuldades maiores. Todo este emaranhado de acontecimentos nos leva a pensar se Dona Rosália é realmente feliz. Durante toda a sua vida, ela teve que se submeter aos outros, já que o que era seu por direito foi retirado de forma cruel e covarde. “Para mim, felicidade é ter os filhos sadios. Eles não são deficientes, não estão presos, não estão nas drogas. Sou feliz pelos meus filhos e pelos meus netos!&#8221; Com a morte precoce de seu marido, a necessidade de tomar as rédeas da situação desconfigurou sua família. “Eu sinto falta da família reunida à mesa. Faz muito tempo que eu não sei o que é comer com a família reunida.” Depois, a dor aumentou com o desaparecimento de seu filho. “Eu não sou feliz porque sinto falta do meu filho. Mas espiritualmente eu sou feliz. Sou feliz porque li a Bíblia de ponta a ponta”. Apesar de tudo, ela realmente demonstra ser uma pessoa feliz.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/12/03/rosalia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/uAs886FJYxc/2.jpg" alt="" /></a></span>
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		<title>Doracy</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>“Seja você a mudança que quer ver no mundo”. Este brilhante pensamento do líder espiritual Mahatma Gandhi foi um dos ensinamentos que ficaram guardados comigo depois de ter participado de diversos grupos de assistência e de prestação de serviços voluntários. Por conta da multiplicação das minhas responsabilidades, acadêmicas e profissionais, tive que me afastar destas atividades. Um dos outros motivos foi a minha discordância com a proposta de um dos grupos, que não promovia nada mais vantajoso do que a doação de mantimentos a instituições de caridade e a realização de eventos em datas comemorativas para levar um pouco de alegria a crianças carentes. Ambas as ações são muito dignas e realmente há um sentido em darmos um pouco do que temos aos que pouco tem. Porém, penso que o serviço social envolve muitos outros fatores importantes que não apenas o assistencialismo, como oportunizar o acesso ao emprego e a criação de mecanismos para que as pessoas possam buscar seu próprio meio de subsistência, como as cooperativas. Como diz o ditado, melhor do que dar o peixe, é preciso ensinar a pescar.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1024.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-129" title="Doracy Filha" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1024.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Apesar de tudo, sinto falta destes trabalhos voluntários, pois ele me fazem sentir útil à sociedade. Sem contar que nada é mais emocionante do que você poder levar um pouco de esperança a pessoas que não sabem nem mesmo o que esperar da vida. Em todos estes trabalhos que realizei, convivi com uma grande diversidade de pessoas, mas confesso ter uma paixão especial pelo contato com deficientes mentais e físicos, como crianças portadoras de Síndrome de <em>Down</em>, exemplos de amor à vida, e cadeirantes, exemplos de superação. Ao iniciar minhas atividades profissionais na Embraco, fui convidado a integrar o PROVE &#8211; Projeto de Voluntariado da Embraco, mais especificamente o &#8220;Construindo Pontes Inclusivas&#8221;. A coordenadora do projeto, Doracy Filha, 30 anos, é a minha entrevistada de hoje. O nosso encontro aconteceu em 19/11, data em que ocorreu o evento de lançamento do projeto à comunidade.</p>
<p>O projeto nasceu da iniciativa de Doracy e de vários outros voluntários da Embraco com o objetivo de promover a educação inclusiva com ênfase em Libras (Língua Brasileira de Sinais), contribuindo com o desenvolvimento intelectual e social para de crianças surdas e seus responsáveis. O principal propósito é resgatar a qualidade da educação e o aprendizado da Libras, melhorando a comunicação e criando laços dos surdos com os pais, professores e sociedade. &#8220;Há muitas crianças que, por não conhecerem Libras, não conseguem se comunicar de forma a sentirem-se incluídas na sociedade. Isso faz com que elas se isolem, o que compromete seu desempenho nos estudos e sua qualidade de vida em geral. É preciso que essas crianças sejam mais seguras de si&#8221;, afirma Doracy. O evento esclareceu a proposta aos familiares das crianças envolvidas e ainda contou com a apresentação de peça teatral &#8220;Vida de Surdo&#8221;, formada exclusivamente por crianças surdas e produzida pelo grupo de teatro &#8220;Libração&#8221;, com produção da &#8220;Dionisos Teatro&#8221;.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1033.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-130" title="Doracy Filha" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1033.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Após o evento, eu e Doracy sentamos para descansar e conversar. Aproveitei para conhecê-la um pouco mais. Ela veio de Cuiabá, capital do Mato Grosso, há 4 anos e desde então, trabalha na Embraco, na área de Gestão da Qualidade. Mora de aluguel no bairro Pirabeiraba, é casada e tem dois filhos, de quem fala com muito amor: Samual, 5 anos e Nycole, 1 ano. Doracy está se formando em Administração de Empresas pela Univille e veio para Joinville para tentar uma vida com mais oportunidades. Ela diz que sua cidade natal, além de não permitir o acesso dos cidadãos a uma educação de qualidade e um trabalho digno, não oferece segurança. &#8220;Lá <em>(em Cuiabá)</em>, era impossível andar nas ruas livremente. Eu não podia nem deixar meu filho brincar na calçada em frente à nossa casa, de tanto medo. Aqui <em>(em Joinville)</em> é diferente, porque existe muita segurança e o índice de criminalidade é bem menor&#8221;. Esta questão polêmica, característica de nossa sociedade líquido-moderna, me lembrou de um livro de Zygmunt Bauman muito interessante, que aborda o tema da segurança sobre o viés da sociedade de consumo.</p>
<p>Em <em>Confiança e medo na cidade</em> (Zahar, 2009), o sociólogo polonês fala sobre que a arquitetura das grandes cidades tornou-se defensiva ao construir fortalezas e dispositivos para atender ao medo e à insegurança que passaram a dominar a vida urbana. Sob uma visão ainda mais ampla, Bauman analisa também a maneira abstrata como o medo e a insegurança se colocam em nosso dia a dia, atentando-se para a forma com que o capitalismo agora se inspira em lapidar ainda outro universo de experiências a que os indivíduos são condicionados. O convívio em comunidade tornou-se conflituoso desde que a população mundial sofreu um considerável avanço demográfico e, consequentemente, as diferenças de classe tomaram força.&#8221; A acumulação inicial de capital conduz invariavelmente a uma polarização sem precedentes das condições de vida e provoca tensões sociais explosivas: para a classe empresarial e mercantil emergente, é necessário que essas tensões sejam suprimidas por um Estado potente, impiedoso e coercivo&#8221;, analisa o sociólogo.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1054.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-131" title="Doracy Filha" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dscf1054.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Com essas diferenças estabelecidas, o objetivo do sistema capitalista dentro da sociedade de consumo é manter sempre um universo de prosperidade e progresso, para que os indivíduos se motivem a movimentar-se livremente em suas atividades de consumo, incentivando a obtenção de produtos e serviços. Ao mesmo tempo, são dadas todas as alternativas para que esse objetivo seja alcançado, mas essa é uma noção que fica no campo da ideia, pois a prosperidade e o progresso é um objetivo cada vez mais distante e deturpado. Bauman explica que &#8220;o &#8216;progresso&#8217; &#8211; antes manifestação extrema do otimismo radical e promessa de uma felicidade duradoura e universalmente compartilhada – resultou no contrário do que prometia. Hoje se formulam previsões apavorantes e fatalistas, e o progresso representa a ameaça de uma inexorável e inevitável mudança que não promete paz nem repouso, mas crises e tensões contínuas, sem um segundo de trégua, uma espécie de &#8216;jogo de cadeiras&#8217; no qual um segundo de distração pode levar à derrota irrevogável, à exclusão sem apelo. Em lugar de grandes expectativas e doces sonhos, a palavra progresso evoca uma insônia povoada de pesadelos: &#8216;ser deixado para trás&#8217;, perder o trem, ser atirado para fora do veículo por um movimento brusco.&#8221;</p>
<p>Os indivíduos absorvem toda a ideia de prosperidade como uma obrigação de terem sucesso e de buscarem crescer e se desenvolver cada vez mais. Num primeiro momento, esta ambição pode ser considerada saudável, já que naturalmente somos movidos a objetivos. Porém, quando isso se torna uma obsessão, a ganância entra em jogo e faz todo o trabalho de conduzir o indivíduo à sua própria ruína, apesar da progressão. Não é o caso de Doracy, apesar de ela ter se deslocado de sua terra natal em busca de oportunidades melhores e ainda estar conseguindo alcançá-las. Sua segurança física e afetiva é claramente baseada no consumo, e ela diz que as pessoas são praticamente obrigadas a pagar um preço por isso. Por outro lado, ela não se submete ao capitalismo que manipula os indivíduos com sua força indutiva ao consumo pelo consumo. Ela tem consciência do que faz e busca seus objetivos com o único propósito de ter uma vida confortável, sem apelar para coisas supérfluas. Junto a isso, conta-se o fato de ela encabeçar um projeto voluntário que demonstra sua preocupação com o próximo, uma atitude que mostra como ela está longe de ser uma pessoa individualista e despreocupada com o mundo. Doracy é um exemplo muito bom de como as pessoas podem ser ambiciosas sem precisar serem gananciosas.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/12/02/doracy/"><img src="http://img.youtube.com/vi/38jrWO4zzzo/2.jpg" alt="" /></a></span>
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			<media:title type="html">Doracy Filha</media:title>
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		<title>Leandro</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 18:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornalista Leandro Schmitz, 28 anos, é graduado pelo Bom Jesus/IELUSC e trabalha como Assessor de Comunicação da Fundamas – Fundação Albano Schmidt, em Joinville. Atualmente ele mora com os pais na zona sul da cidade, é homossexual e namora, há 6 anos, o também jornalista Eberson Teodoro, que sugeriu a mim a participação de seu companheiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=67&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O jornalista Leandro Schmitz, 28 anos, é graduado pelo Bom Jesus/IELUSC e trabalha como Assessor de Comunicação da Fundamas – Fundação Albano Schmidt, em Joinville. Atualmente ele mora com os pais na zona sul da cidade, é homossexual e namora, há 6 anos, o também jornalista Eberson Teodoro, que sugeriu a mim a participação de seu companheiro no projeto. A sugestão de Eberson foi guiada pelo momento de vida de Leandro, notadamente caracterizado por grandes mudanças. Ele acaba de se graduar, está em um novo momento profissional e está a caminho de finalizar a construção de sua casa própria, projeto de vida considerado um sonho pela maioria dos brasileiros. Foi nesta situação que resolvi entrevistá-lo: um dia de acabamentos em sua nova casa para conversarmos sobre seus novos rumos.</p>
<p>Acompanhei Leandro durante uma manhã de sábado ensolarada. Ao chegar em sua casa, já o encontrei em plena atividade com toalha e borrifador de água nas mãos, na tentativa de remover os respingos de tinta nos vidros de portas e janelas. Seu cunhado, que preferiu manter-se em anonimato, cobria uma das paredes da sala com uma massa especial que resultaria numa textura decorativa muito criativa. No fundo da casa, um simpático gramado verde recém plantado e pássaros cantantes me receberam com hospitalidade, num clima agradável de primavera. Fiquei com uma sensação nostálgica no ar, principalmente pela grama, que também pretendo instalar na minha futura casa, já que a brita seria minha última opção. Quando eu era criança, tínhamos um lindo e confortável gramado em casa, que me permitia deitar e rolar sem medo de me machucar. Parabenizei Leandro por tamanho capricho e cuidado na construção de sua casa – e o agradeci por me trazer lembranças da infância.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09112_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-68" title="Leandro Schmitz" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09112_resize.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<p>O clima econômico favorável instaurado durante os últimos dez anos no país possibilitou ao governo a aplicação de recursos financeiros na criação de diversos programas de melhoria. Um deles é o “Minha Casa, Minha Vida”, que subsidia a construção de imóveis a pessoas com determinada renda familiar. Foi este programa que permitiu a Leandro a construção de sua casa, projeto que ele confessa ter pensado em adiar um pouco mais, mas o desejo de deixar a casa dos pais e voar com suas próprias asas o motivou a antecipar. “Sempre quis ter minha casa própria, isto faz parte da cultura da minha família. Primeiro você tem que ter sua casa, depois você pensa em comprar um carro ou qualquer outro bem.”</p>
<p>Apesar de seu entusiasmo em estar com a casa praticamente pronta e prestes a mudar-se, Leandro confessa que encontrou injustiças no programa do governo. “Há um antagonismo no sistema. Ele nasceu para ser um programa social, mas apenas para quem tem cadastro nas prefeituras com a secretaria de habitação”. Porém, o contingente de pessoas cadastradas faz com que a espera seja muito demorada. Então, o próprio sistema promove a alternativa de buscar o subsídio de forma particular. Aí está a injustiça: o programa se aproveita desta alternativa para fazer exigências absurdas. “Você tem que dar uma entrada bem grande, o seu holerite tem quem ser considerável e você é praticamente obrigado a comprar um produto da Caixa <em>(Econômica Federal)</em>, tudo para que seu crédito seja aprovado. É uma chantagem comercial.”</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09116_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-69" title="&quot;Minha Casa, Minha Vida&quot;" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09116_resize.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Assim dizendo, Leandro considera o “Minha Casa, Minha Vida” não um benefício do governo, mas um programa vantajoso para ele mesmo. Fica claro que há um interesse financeiro por trás de tudo, fruto do capitalismo. Aqui, é interessante notar como o sistema obriga o indivíduo a submeter-se aos seus paradigmas, sempre em nome do consumo. É o triunfo do capitalismo sobre o indivíduo, iniciado após a Segunda Guerra Mundial com necessidade de reerguer as economias devastadas. A reconstrução do que a guerra destruiu obrigou os países afetados a tomarem medidas extremas para se reerguerem. Por isso, as tecnologias agora disponíveis foram vistas como ferramentas com potenciais sem precedentes para a reestruturação das nações. Apostou-se na industrialização como a saída mais vantajosa para garantir a sua reascendência social, política e, sobretudo, econômica. Com a industrialização, percebeu-se que a exploração da força de trabalho e a produção de bens de consumo tornaram-se as melhores alternativas para conter a recessão e desenvolver a economia. Essas estratégias mudaram para sempre o cenário do que se acreditava ser uma organização social justa e igualitária.</p>
<p>As intervenções do sistema econômico que se organizara criaram uma nova sociedade, cuja cultura passou a basear-se numa busca descomedida pela expansão do capital. O capitalismo iniciava sua jornada rumo à sua própria consolidação em detrimento da liberdade humana. Formou-se então uma revolução social sem precedentes, caracterizada por mudanças culturais e inversão de diversos valores sociais. Esta revolução constitui-se o cerne da sociedade de consumo em que vivemos e é fantasticamente analisada pelo egípcio Eric Hobsbawm em seu livro <em>A era dos extremos: o breve século XX: 1914 – 1991</em> (Schwarcz, 1995).</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09111_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-70" title="&quot;Minha Casa, Minha Vida&quot;" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09111_resize.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<p>Outra questão interessante a ser analisada é a forma como o governo vende o programa “Minha Casa, Minha Vida”. O argumento principal é que qualquer um pode ter sua casa e, com isso, ter seus direitos garantidos enquanto cidadão, já que o acesso ao consumo o concede a realização de seu sonho. Este movimento, bastante atual, é também brilhantemente analisado pelo filósofo argentino Nestór García Canclini em sua obra <em>Consumidores e Cidadãos</em> (UFRJ, 2005), que explica como os governos se utilizam do argumento da cidadania para convencer os indivíduos de sua falsa liberdade. Canclini exemplifica esta teoria com um caso ocorrido na Argentina, em que Carlos Menem, então candidato à reeleição para presidência do país, se utilizou da ameaça da superinflação econômica para conquistar votos, alegando que a sua eleição barraria o aumento da inflação, numa estratégia de “voto-prestação”. Outro caso interessante, relatado em um dos livros de Bauman, foi a ordem máxima do governo dos Estados Unidos, sob a figura de seu então presidente George W. Bush, após o atentado às Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, e a consequente quebra da economia norte-americana, de que a população “fosse às compras” para fazer girar a roda da economia. Como cita Canclini, estes exemplos exibem “a cumplicidade que existe hoje entre consumo e cidadania” e, por isso mesmo, estão atrelados aos modos de vida e ao sentimento de pertencimento do cidadão em determinada sociedade.</p>
<p>Ao ser questionado sobre o sistema econômico em que nossa sociedade se baseia, Leandro é firme. “O capitalismo está longe de ser o sistema ideal, porque ao mesmo tempo em que ele traz individualidade e enaltece as qualidades que cada um pode ser, por outro lado ele tem suas exigências que nem sempre são as ideais.” Leandro se refere ao fato de que no capitalismo, para que o indivíduo alcance seus objetivos, ele tem que se submeter a um sistema que cerceia a sua liberdade e que exclui aqueles que não dançam conforme a música. Ele vai além, afirmando que ainda não existe no mundo um sistema que funcione de forma sustentável e que seja justo para com todos os envolvidos. “Nem o socialismo funcionou e não funciona, o capitalismo não é o mais adequado. Em minha opinião, deveria haver um terceiro sistema que pudesse valorizar cada um sem excluir, sem exigências.”</p>
<p>Esta visão, além de concordar com a minha, me lembra algo que, durante a minha pesquisa sobre sociedade de consumo, li no final do livro<em> Capitalismo parasitário</em>, de Zygmunt Bauman (Zahar, 2010), em que o sociólogo fala sobre sua posição pessimista ou otimista sobre o mundo líquido-moderno. Ele afirma que não pode se “acomodar nesse modo binário de posição” e declara que “os otimistas acreditam que esse mundo do aqui e agora é o melhor possível, enquanto os pessimistas suspeitam que os otimistas possam estar certos”. Em seguida, Bauman diz acreditar em um mundo diferente e de alguma forma melhor do que o que temos agora, pertencendo assim a uma terceira categoria: a dos homens que se mantêm esperançosos. Assim como eu e Leandro.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/12/01/leandro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/l6-GZkN-PkQ/2.jpg" alt="" /></a></span>
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		<title>Ana</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 18:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje quero esclarecer que um dos conceitos do meu projeto é a valorização das diferenças e de suas peculiaridades. As pesquisas acadêmicas das áreas de comunicação, sociologia e antropologia costumam se caracterizar pelo inusitado, mais do que tudo. É como se não existissem regras para se desenvolver um trabalho, considerando todo e qualquer referencial que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=102&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje quero esclarecer que um dos conceitos do meu projeto é a valorização das diferenças e de suas peculiaridades. As pesquisas acadêmicas das áreas de comunicação, sociologia e antropologia costumam se caracterizar pelo inusitado, mais do que tudo. É como se não existissem regras para se desenvolver um trabalho, considerando todo e qualquer referencial que possa valorizá-lo. Esse foi o critério que usei nas decisões de quem participaria do meu blog. Durante o processo de seleção de entrevistados, na tentativa de solicitar aos meus amigos do Facebook que me sugerissem participantes, tive a honra de receber o retorno de uma personalidade muito especial e importante do mercado de comunicação em Joinville. Ao exemplificar o meu projeto com o possível acompanhamento de um dos participantes ao salão de estética, ela viu-se tentada a me levar junto de si para “uma saga em busca da beleza”, como ela mesma sugeriu quando cheguei a sua casa para apanhá-la.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09067_resize.jpg"><img class="aligncenter" title="Ana Simões" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09067_resize.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Ana Simões, 59 anos, é um das mulheres mais esclarecidas que eu já conheci. Talvez eu tenha essa opinião pelo fato de que Ana, além de ser uma profissional de comunicação, é a própria comunicação personificada. Eu a admiro por ser dona de uma simpatia e um entusiasmo cativantes, que chamam a atenção por onde passa. Além disso, Ana possui um currículo invejável, herança de seu pai, que lhe permitiu uma intelectualidade e uma cultura superiores. Atualmente, ela leciona nos cursos de Jornalismo e Publicidade do Bom Jesus/IELUSC. Apesar de eu nunca ter tido o prazer de tê-la como professora, nossas conversas e os seus ótimos conselhos quanto ao meu futuro profissional nos aproximaram. Ainda pretendo cursar a disciplina de Jornalismo Cultural, no próximo ano, somente para prestigiar as suas aulas, que alguns dizem serem fantásticas.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09081_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-123" title="Ana Simões" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09081_resize.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<p>Assessora de Planejamento Estratégico em Comunicação, Ana é Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Paraná e, além de professora universitária, também leciona em alguns cursos de pós-graduação. Ela mora na região central de Joinville com o marido, Miguel – com quem é casada há 28 anos, e o filho mais novo, Matheus. Ela segue à risca o mesmo ritual há mais de 20 anos: visita, as terças e sextas-feiras, o salão de beleza de uma antiga amiga, onde passa a tarde em um tratamento especial. Quando seus cabelos se mantêm comportados, ela apenas os lava e escova. Para ficar ainda mais apresentável, aplica a maquiagem definitiva. E durante todo o processo, conversa com uma amiga aqui, cumprimenta outra amiga ali, sempre atenciosa e, neste dia, convidando a todos para assisti-la logo mais à noite, na TV, quando daria uma entrevista à Tusi em seu programa Mundo Cult, da TVBE.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09098_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-124" title="Ana Simões" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09098_resize.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Para Ana, a questão da beleza está ligada a uma necessidade particular em estar bem consigo mesma. Ao contrário de uma grande maioria de mulheres, que passam horas sob cuidados estéticos para satisfazer primeiramente seus parceiros ou surpreender suas amigas, o objetivo dela nessa atividade de consumo é simplesmente valorizar a sua autoestima. Esta é uma forma comum e saudável de construção de identidade. A afirmação da beleza é uma maneira de o indivíduo ser aceito em sociedade. A questão da identidade, logicamente, transcende este campo e acaba permeando todas as esferas possíveis da organização social.</p>
<p>As questões de identidades estão diretamente ligadas à lógica do consumo, já que o sistema capitalista produz uma quantidade infinita de modelos que, envoltos em estratégias de marketing e publicidade previamente elaboradas, sugerem aos indivíduos como eles deve se organizar na sua cultura particular. Ana usa o exemplo de algumas situações particulares em que conhecidos seus absorvem características exteriores que não lhes são nada vantajosas, e os acabam fazendo regredir comportamentalmente, sobretudo por perderem sua identidade. “Quando um indivíduo passa a utilizar características do próximo para construir sua identidade, ele na verdade está se destruindo, ou até se estagnando, pois sua identidade não é particular, é emprestada por direito”, diz Ana. Com isso, percebe-se na transitoriedade identitária um dos motivos para as relações variáveis da sociedade líquido-moderna de Zygmunt Bauman.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/30/ana/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ZgDtrSnwYQE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/102/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/102/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=102&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nelson</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 18:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Este ano, antes de ingressar na Embraco, eu trabalhei por algumas semanas na Gidion. Minha atividade era a gestão do sistema “Transporte Eficiente”, um serviço da empresa que atende exclusivamente à população portadora de todos os tipos de deficiências congênitas ou adquiridas. Antes de atuar no gerenciamento direto, eu propus ao meu superior um dia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=104&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este ano, antes de ingressar na Embraco, eu trabalhei por algumas semanas na Gidion. Minha atividade era a gestão do sistema “Transporte Eficiente”, um serviço da empresa que atende exclusivamente à população portadora de todos os tipos de deficiências congênitas ou adquiridas. Antes de atuar no gerenciamento direto, eu propus ao meu superior um dia dedicado a conhecer o serviço na prática, circulando junto a um dos ônibus. Foi nessa oportunidade que conheci o entrevistado de hoje. Uma pessoa falante, alegre e notadamente feliz, que nunca reclama da vida, pelo contrário, agradece por ela todos os dias.</p>
<p>Nelson Farias, 33 anos, é cadeirante e trabalha como vendedor de título de capitalização. Quando decidi a proposta do meu projeto, cujo conceito quer valorizar a diversidade, pensei nele como um caso interessante a ser analisado. Quando eu o sugeri sua participação, ele se entusiasmou, dizendo que já deu várias entrevistas à imprensa e, até mesmo, a meus amigos jornalistas. Nelson mora com a mãe, na zona sul de Joinville, onde também trabalha. Ele possui uma doença congênita chamada <em>Mielomelingocele</em>, que se caracteriza pela má formação da coluna. Nelson é preso à cadeira de rodas desde que se conhece por gente.</p>
<p>Quando ele nasceu, sua família veio de Nova Prata do Iguaçu, no Paraná, para tentar oferecê-lo uma vida mais confortável. “A cidade era muito pequena, e o tratamento da minha doença só existe em cidades grandes”. Ele é o filho caçula de uma família de 6 irmãos, cujo pai não se conformou com a deficiência do filho e acabou no alcoolismo, vindo a falecer quando Nelson tinha 13 anos de idade. “Essa foi uma perda muito dolorida para mim, até hoje sinto falta do meu pai. O problema dele com o álcool não afetava a nossa família. Ele era muito presente e me mimava muito. Gostava tanto de mim e me respeitava tanto que quando brigava com minha mãe, ele me obedecia quando o pedia para parar”.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09135_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-147" title="Nelson Farias" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09135_resize.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Acompanhei Nelson no seu trabalho em uma tarde de sábado ensolarada, em que ele me disse quase ter que cancelar. “O sol está muito forte, Bruno. Se o pessoal da Trimania não trouxer uma barraca, não terá como te dar a entrevista”. Felizmente, o pessoal da empresa providenciou uma grande e chamativa barraca inflável para que ele pudesse continuar vendendo seus bilhetes. “O pessoal gosta muito de mim lá porque eu vendo quase 150 bilhetes em cada sábado que fico aqui. Essa barraca chama ainda mais a atenção”. É verdade, Nos momentos em que estive com Nelson, tive certa dificuldade em conversar com ele, já que éramos interrompidos o tempo todo por pessoas querendo comprar Trimania. Muitos já eram clientes fiéis; outros, apenas amigos querendo ajudar Nelson; outros, ainda, sugeriam ao cadeirante que escolhesse o seu bilhete à sorte. Foi realmente muito bonito, para mim, ver um tratamento tão especial com um cadeirante.</p>
<p>Foi pensando neste tratamento digno que questionei Nelson sobre a forma como a sociedade de consumo enxerga Nelson, no sentido de sua cidadania consumista. Sempre me perguntei se as pessoas deficientes tinham vantagens justamente por ter uma condição física limitada. Vantagem no sentido de não serem tão cobradas a terem sucesso financeiro e galgar objetivos sociais como acontece com a maioria dos indivíduos. De acordo com Nelson, a situação para ele e para seus amigos deficientes é exatamente a mesma. “A vontade de ter independência, ter minha casa, meu carro e meu espaço não é só minha. Eu também me sinto obrigado a ter tudo isso, pois a maioria das pessoas da minha idade são assim”. Ele já trabalhou na Whirlpool há muito tempo, quando a empresa não exigia tanta formação. Mas Nelson nunca estudou, apesar de saber ler e escrever perfeitamente. “O custo de vida para um cadeirante é absurdo, Bruno. Eu praticamente vivo uma vida miserável, pois tudo tem que ser adaptável à minha condição. Além disso, sou cobrado por todo mundo para me adaptar. Todos dizem que há recursos, mas não imaginam o quanto é difícil e caro conseguí-los”, relata ele, emocionando-se ao falar de sua própria situação.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09132_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-148" title="Nelson Farias" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/dsc09132_resize.jpg?w=300&#038;h=199" alt="" width="300" height="199" /></a></p>
<p>Apesar de achar que, por um lado, enxergar um cadeirante como uma pessoa igual às outras é importante, por outro, é extremamente desumano, tendo em vista que sua limitações são grandes. Para uma pessoa comum, alcançar o sucesso já é difícil. Imagine para um cadeirante. Essa situação mostra como a modernidade líquida de Bauman submete todo e qualquer indivíduo à sua lógica consumista, como cita o sociólogo em sua obra <em>Capitalismo parasitário</em> (Zahar, 2010). Segundo Bauman, a principal característica dos consumidores na sociedade líquido-moderna é a sua falsa liberdade de escolha, praticamente imposta e mandatória. Todas as atenções voltaram-se aos indivíduos, a seus anseios, a seus afetos e a seus medos. Ter opinião e personalidade passou a ser uma obrigação nacional, mas não quer dizer que o fato de não tê-la poderia ser um problema. Pelo contrário, quanto mais os indivíduos fossem “essa metamorfose ambulante”, melhor seriam manipulados e, assim, seduzidos pelas práticas de consumo. Cada um passou a ser responsável por seu próprio destino enquanto indivíduo que vive em sociedade.</p>
<p>Termino este <em>post</em> apresentando as palavras de Bauman, indignado pela crueldade com que o capitalismo trata, até mesmo, um cadeirante.</p>
<p>“Podemos dizer que, em sua fase líquido-moderna, a cultura é feita na medida da liberdade de escolha <em>individual </em>(voluntária ou imposta como obrigação). É <em>destinada </em>a servir às exigências desta liberdade. A garantir que a escolha continue a ser <em>inevitável</em>: uma necessidade de vida e um <em>dever</em>. A assegurar que a responsabilidade, companheira inseparável da livre escolha, permaneça lá onde a condição líquido-moderna a colocou: a cargo do <em>indivíduo</em>, apontado hoje com único administrador da “política da vida”. A cultura de hoje é feita de <em>ofertas</em>, não de <em>normas</em>. Como observou Pierre Bordieu, a cultura vive de sedução, não de regulamentação; de relações públicas, não de controle policial; da criação de novas necessidades/desejos/exigências, não da coerção. Esta sociedade é uma sociedade de consumidores. E, como o resto do mundo visto e vivido pelos consumidores, a cultura também se transforma num armazém de produtos destinados ao consumo, cada qual concorrendo com os outros para conquistar a atenção inconstante/errante dos potenciais consumidores, na esperança de atraí-la e conservá-la por pouco mais de um breve segundo. Abandonar os padrões muito rígidos, ser condescendente com a falta de critérios, satisfazer todos os gostos sem privilegiar nenhum deles, promover a inconsistência e a “flexibilidade” (nome politicamente correto da frouxidão de caráter) e exaltar a instabilidade e a incoerência, esta é, portanto, a estratégia justa (a única razoável?) hoje. Ser exigente, ficar chocado e arreganhar os dentes é vivamente desaconselhado.”</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/29/nelson/"><img src="http://img.youtube.com/vi/q0o9W72YW2A/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/104/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/104/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=104&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Thayse</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 18:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que entrei na faculdade e passei a conviver com uma quantidade infinita de pessoas da minha idade, formulei alguns modelos mentais de comportamento que, a princípio, podem ser considerados preconceituosos e estereotipados. Por exemplo, o fato de estarmos, na nossa idade, cursando uma faculdade, não nos daria o direito de pensar em outros planos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=78&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que entrei na faculdade e passei a conviver com uma quantidade infinita de pessoas da minha idade, formulei alguns modelos mentais de comportamento que, a princípio, podem ser considerados preconceituosos e estereotipados. Por exemplo, o fato de estarmos, na nossa idade, cursando uma faculdade, não nos daria o direito de pensar em outros planos enquanto não a concluísse. Pelo menos para mim e para muitos de meus amigos, este é um ponto de vista comum, considerando que a graduação nos exige um esforço e tempo insubstituíveis. Isso não quer dizer que esta será uma verdade absoluta para o resto da juventude acadêmica. Mesmo assim, é interessante conhecermos os movimentos &#8220;fora da curva&#8221;. Eu os admiro, já que particularmente, confesso que administrei de forma desastrosa o universo faculdade-trabalho.</p>
<p>Foi um destes movimentos que me chamou a atenção na entrevista de hoje do meu projeto. Thayse Davet, 22 anos, é estudante do terceiro ano de Comércio Exterior, estagiária da Embraco e &#8211; pasmem &#8211; casada há dois anos! Tudo bem, aos poucos, me desarmarei de meus pudores &#8211; até para me distanciar da entrevistada para poder realizar minha análise. Mas não posso deixar de expor que, para mim, essa é uma situação realmente admirável. Conheci Thayse por ocasião de nossa entrada na Embraco, na reunião de integração. Éramos nós dois de estagiários e mais de 100 auxiliares de produção. Não é à toa que acabamos conversando logo no início e nos dando muito bem. Quando contei a ela sobre meu projeto, ela ficou super entusiasmada e logo se ofereceu a participar.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc06760_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-79" title="Thayse Davet" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc06760_resize.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>A oportunidade chegou inesperadamente, quando Thayse me sugeriu acompanhá-la numa visita a uma loja para a troca de uma peça de roupas que não havia lhe satisfeito. Combinamos de ir juntos logo após o fim do expediente da Embraco. A tarde, então, foi dedicada à análise de seu comportamento de consumo direto no ponto de venda. Ao chegar na loja, ela aproveitou para passear pela vitrine, no lado de fora, fazendo exclamações ao se entusiasmar com as novidades. Ao entrar na loja, aproveitou para dar uma olhada nas peças femininas, antes mesmo de se dirigir ao caixa para solicitar a troca. De qualquer forma, há que se considerar que, para realizar a troca, ela teria que saber exatamente a peça escolhida. Depois de procurar e provar algumas peças, sob a orientação da vendedora, Thayse trocou a peça de que não gostara e ainda levou mais duas, compradas no cartão de crédito.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc06772_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-80" title="Thayse Davet" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc06772_resize.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Depois da loja, fomos tomar um café para conversarmos mais tranquilamente. Toda a nossa conversa esteve baseada em um detalhe muito importante de seu comportamento. Desde que a conheci, notei uma frequente independência muito saudável em tudo o que Thayse faz. &#8220;Sempre gostei de ter minha privacidade, desde pequena. Sempre gostei de me trancar, ficar sozinha. Sempre fui muito dona de mim mesmo. Por isso, amadureci muito rápido. Comecei a trabalhar aos 15 anos.&#8221; Ela revela que não possui nenhum problema em ficar sozinha. Isso me recordou de algo muito pertinente que eu li em <em>44 cartas do mundo líquido-moderno</em>, de Zygmunt Bauman (Zahar, 2010). Neste livro, que reúne uma série de artigos escritos pelo sociólogo a uma revista feminina francesa, Bauman fala da insegurança e do medo que o ser humano tem de estar só.</p>
<p>Por estar a maior parte do tempo cercado de todas as formas de vida possíveis, desde outros seres humano às tecnologias da informação, alguns indivíduos tendem a sentirem um vazio quando caem em si mesmos, já que projetam no outro todo o seu anseio por viver. Mesmo com a exacerbação da individualidade, há uma preocupação cada vez maior em manter laços sociais. Entretanto, nunca foi tão angustiante viver. As atividades individuais se multiplicaram e tornaram-se ainda mais exigentes de responsabilidade e controle, a força de trabalho é explorada das mais diferentes formas, os compromissos já não são mais os mesmos e nem os mínimos. Vivemos literalmente na correria. Além de tudo isso, é assustador notar como o ser humano se adaptou a isso de forma tão intensa. A ameaça de qualquer estagnação o traumatiza. Finais de semana, feriados, férias estão se tornando excessos, sobretudo porque durante esses períodos, o indivíduo costuma encontrar-se solitário e, principalmente, distante de seus numerosos afazeres e responsabilidades cotidianas que o levam à loucura, mas parecem satisfazer sua necessidade de movimento. Mais assustador ainda é constatar que até mesmo nesses períodos de “repouso”, o indivíduo é instigado a cercar-se de atividades que o mantenham conectado com o mundo <em>full time</em>.</p>
<p>Thayse não se considera um alvo das tecnologias da comunicação. As redes sociais da internet, como o Twitter, Facebook e Orkut, e programas de mensagem instantânea, como o MSN, não a atraem. &#8220;Eu prefiro muito mais o contato pessoal. Apesar de ter me acostumado a estar sempre sozinha, hoje a realidade é outra: estou sempre acompanhada. Afinal, tenho minhas correrias de mulher&#8221;. Além do trabalho e da faculdade, Thayse também frequenta regularmente a academia, o salão de beleza e procura estar sempre em contato com seus pais, que continuam mimando a garota, mesmo depois de crescida e casada. &#8220;Tenho uma relação muito boa com meus pais, eles são super carinhosos, atenciosos &#8211; me mimam horrores&#8221;. A estudante confessa que teve certa dificuldade em se adaptar à vida de casada, já que teve que passar a ter responsabilidades antes impensáveis. Ela é um exemplo clássico do que os indivíduos da sociedade líquido-moderna se tornaram, porém com uma diferença primordial: ela sabe o que quer da vida e não se submete ao que a sociedade impõe.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/28/thayse/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gBH8U9jobts/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/78/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/78/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=78&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Gustavo</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 18:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha passagem pela faculdade me trouxe mudanças na minha visão sobre o mundo em que vivemos, que percorreram todas as esferas da minha existência e do meu comportamento. Passei a ser mais consciente em relação ao respeito e a preocupação com o meio-ambiente, com os animais e com o próprio ser humano, preocupação esta que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=107&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha passagem pela faculdade me trouxe mudanças na minha visão sobre o mundo em que vivemos, que percorreram todas as esferas da minha existência e do meu comportamento. Passei a ser mais consciente em relação ao respeito e a preocupação com o meio-ambiente, com os animais e com o próprio ser humano, preocupação esta que originou este projeto. Outra de minhas preocupações que aumentaram foi quanto a minha qualidade de vida, relacionada à minha saúde física e mental e à forma como eu interajo com meu corpo. Basicamente, minhas atitudes foram a exclusão da carne vermelha de meu cardápio, uma ingestão maior de água e o uso de filtro solar. Aliado a tudo isso, neste ano eu decidi buscar uma atividade física que me tirasse do sedentarismo, e que pudesse também aumentar a minha capacidade de raciocínio emocional. Já faz algum tempo que eu faço análise, mas sinto falta de algo que possa manter meu corpo em atividade para que eu esteja mais disposto e tenha melhor desempenho em minhas atribuições acadêmicas e profissionais.</p>
<p>Foi quando pensei no Yôga como a alternativa perfeita para o que eu buscava em relação à minha qualidade de vida. Procurei várias escolas até encontrar o Método DeRose, uma proposta de qualidade de vida e de desenvolvimento de alta performance em todos os níveis da nossa vida. Algumas das ferramentas utilizadas neste método são a reeducação respiratória, a administração do stress, as técnicas orgânicas que melhoram o tônus muscular e a flexibilidade, procedimentos para o aprimoramento da descontração e da concentração mental. O objetivo maior do método é levar o praticante à expansão da lucidez e ao autoconhecimento. Uma proposta que se encaixava exatamente com o que eu imaginava. O entrevistado de hoje é Gustavo Marson, 36 anos, responsável por trazer a cultura do Método DeRose a Joinville.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/alpes.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-140" title="Alpes" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/alpes.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Natural de São Bernardo do Campo (SP), onde começou a praticar o método aos 11 anos e tornar-se instrutor aos 15, Gustavo viu na nossa cidade uma grande oportunidade de ser pioneiro neste serviço. Motivado por uma paixão particular pelo público da região sul e pela vontade latente de deixar sua cidade natal, ele veio para Joinville há quase 12 anos e montou a escola. Atualmente, Gustavo mora com a namorada no bairro Bom Retiro e tem como hobby sua paixão por viagens, principalmente em lugares onde possa esquiar, como pode ser visto nas fotos que ilustram esse <em>post</em>. Logo no início de nossa conversa, diz que foi muito bem recebido quando chegou à cidade. &#8220;Quando eu disse a algumas pessoas que viria para cá, elas me avisaram que o povo era um pouco fechado e que eu poderia ter um pouco de dificuldade. Mas como as pessoas que vinham me procurar, por conta do meu trabalho, já tinham uma mente mais aberta, a receptividade acabou sendo melhor que o anunciado&#8221;, diz Gustavo. Desta forma, o método o possibilitou iniciar suas relações sociais e formar seus círculos de amizade.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/ushuaia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-141" title="Ushuaia" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/ushuaia.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Ao ser questionado sobre o sentido que ele dá para suas relações sociais, Gustavo usou a expressão egrégora para definir a maneira como os compreende, com base dos preceitos do Método DeRose, um coletivo de indivíduos reunidos por um propósito comum. &#8220;O grupo que se reúne pra beber cerveja toda sexta-feira, por exemplo, forma uma egrégora. Seu grupo da faculdade forma uma egrégora&#8221;. Isso me levou a discutir como se organizam as características de identidade que servem de referenciais para a formação dessas egrégoras. Após analisar com cuidado esses referenciais e depois de aproximar da condição de Gustavo enquanto pertencente à cultura do Método DeRose, cheguei à conclusão de que estes referenciais, querendo ou não, são basicamente, norteados pela lógica do consumo. Para que os indivíduos se formem em egrégoras, ou mesmo em grupos sociais de forma geral, é preciso que eles tenham referenciais e características em comum, que são por sua vez amparados por objetivos de consumo. “No caso de minha egrégora, o objetivo em comum é a busca por qualidade de vida.” Para buscar a qualidade de vida, os indivíduos desta egrégora se submetem à prática do Método DeRose – uma atividade de consumo então instituída.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/bariloche.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-142" title="Bariloche" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/bariloche.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Estas instituições sociais, a quem Gustavo chama de egrégoras, sempre existiram. Elas se desenvolvem em torno do que a cultura de cada sociedade proclama, com suas especificidades e particularidades. A multiplicação e o fortalecimento destes referenciais sócio-culturais são relatados por Eric Hobsbawm no capítulo “Revolução Cultural” de seu livro <em>Era dos extremos: o breve século XX: 1914 – 1991</em> (Schwarcz, 1995). O conceito chave desta revolução, também chamada de movimento contracultura, foi caracterizado pelo início de uma grande revolução comportamental, com o surgimento de movimentos sociais, como o feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais. Também foi nessa época que surgiram, principalmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, movimentos de comportamento, como os <em>hippies</em>, com seus protestos contrários à Guerra Fria e à Guerra do Vietnã e ao racionalismo. Tudo isso como um suposto resultado de uma estratégia econômica de indução ao consumo, utilizada após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Esta revolução, iniciada oficialmente nos anos 60, abriga o cerne da sociedade de consumo capitalista em que vivemos, já que depois dela, os indivíduos de nossa sociedade passaram a viver cercados de ícones, símbolos e imagens que se constroem e destroem-se numa velocidade cada vez mais alucinante. Os referenciais passaram a se manter sobre o que a sociedade de consumo oferece para a construção da identidade individual que se torna transitória, desconexa, variável, vulnerável, e, sobretudo, líquida.<em></em></p>
<p>Esse movimento cultural obrigou o sistema capitalista a adotar medidas alternativas para se adaptar e beneficiar-se delas. Por isso, no fim do século XX desenha-se no horizonte global um surto de atividades econômicas integradas, que se refletem nas esferas social, cultural e política: a globalização. Sua principal consequência é a eliminação das fronteiras que separam os países, permitindo uma aproximação entre os mesmos, com o propósito de expandir os mercados externos, principalmente naqueles locais cujos mercados internos já estão saturados. O resultado disso é a configuração de uma sociedade globalizada, caracterizada pela interligação entre culturas e pelo encurtamento das distâncias entre as comunidades globais. Nesta nova sociedade, os indivíduos têm a possibilidade de transitar livremente, podendo sair de seu lugar comum e conhecer outras culturas.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/europa.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-143" title="Europa" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/europa.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Todo esse movimento sócio-cultural foi muito vantajoso para pessoas como Gustavo, que passou a viajar o mundo, uma paixão que lhe é intrínseca. “Fiz minha primeira viagem internacional em 1999 para a Índia, com um grupo conduzido pelo mestre DeRose. Desde então, prometi a mim mesmo que conheceria o mundo e que viajaria pelo menos uma vez a cada ano. Todas as viagens que eu fiz até hoje foram muito importantes para a formação de quem eu sou hoje. Elas me proporcionaram experiências incríveis!”, relata Gustavo, quetem como objetivo de vida difundir o Método DeRose e levá-lo a quem quer que seja, principalmente em suas viagens.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/27/gustavo/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oeAnJnEINX8/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=107&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Joice</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 18:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que passei a compreender melhor como o capitalismo se organiza em nossa sociedade, fico imaginando se existem indivíduos que conseguem manter-se longe de suas garras dominadoras. Principalmente porque tudo o que fazemos ou deixamos de fazer hoje em dia tem ligação direta como capitalismo, por isso, é praticamente impossível distanciar-se de sua influência. Mesmo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=56&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que passei a compreender melhor como o capitalismo se organiza em nossa sociedade, fico imaginando se existem indivíduos que conseguem manter-se longe de suas garras dominadoras. Principalmente porque tudo o que fazemos ou deixamos de fazer hoje em dia tem ligação direta como capitalismo, por isso, é praticamente impossível distanciar-se de sua influência. Mesmo quando não realizamos o ato da compra propriamente dito, que se caracteriza pela oferta do produto financiada por um valor pecuniário quando há sua procura, estamos realizando um ato de consumo. Desta forma, é preciso levar em conta que a questão do consumo transcende a ideia do gasto de dinheiro e da compra compulsiva, sobretudo no meu projeto. Para chegar a esse pensamento, me baseei no que o argentino Nestór García Canclini escreve no capítulo “O consumo serve para pensar” de sua obra Consumidores e cidadãos (UFRJ, 2005): “Uma zona propícia para comprovar que o senso comum não coincide com o bom senso é o consumo. Na linguagem corriqueira, consumir costuma ser associado a gastos inúteis e compulsões irracionais. Esta desqualificação moral e intelectual se apoia em outros lugares-comuns sobre a onipotência dos meios de massa, que incitariam as massas a lançarem-se irrefletidamente sobre os bens.”</p>
<p>A onipotência dos meios de comunicação, com suas investidas publicitárias para atraia o público à compra, já não é mais uma realidade. O consumidor está cada vez mais inteligente e crítico. Porém, o que o caracteriza é a sua afeição quanto aos produtos. Se ele se identifica, logo adquire e faz daquele produto o símbolo de sua existência. Isso costuma acontecer muito na sociedade atual, em que as pessoas querem representar coisas que não são para se afirmar perante seus pares. Apesar disso, ainda há aqueles que não se submetem a essa conjuntura, e fazem de tudo para não serem pegos pela lógica do consumo. A entrevistada de hoje é assim.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09168_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-58" title="Joice Wischral" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09168_resize.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<p>Joice Wischral, 34 anos, é uma das artesãs que comercializa seu trabalho diariamente na praça da Biblioteca Pública de Joinville. Ela é separada há 5 anos e tem um filho de 12 anos, com quem convive no bairro Aventureiro. Acompanhei seu trabalho durante uma tarde de sábado movimentada, em que fomos “interrompidos” várias vezes por clientes que buscavam por seus produtos, principalmente medalhinhas de metal com o nome gravado, feitas com uma máquina que Joice diz ser a única a oferecer em Joinville, além das relojoarias.</p>
<p>Conversamos principalmente sobre seu estilo de vida alternativo e sobre a influência do capitalismo em seu cotidiano. A primeira questão que eu fiz foi se ela não se sente cobrada pela sociedade em ter sucesso. Joice diz que se sente, mas não deixa se levar, como acontece com a maioria. “As pessoas são condicionadas a se submeter ao sistema. Desde crianças, elas são acostumadas a regras que simplesmente devem ser seguidas, e assim, crescem sem ser críticas.” Ela reforça esse argumento com a justificativa de que é por isso que é tão fácil manipular pessoas. Nas eleições, os candidatos pegam no ponto fraco dos seus eleitores e sempre prometem as mesmas coisas. As adolescentes, ao observar que suas amigas possuem uma peça de roupa bonita, vão até uma loja e compram uma igual, porque assim acham que vão pertencer ao grupo, serão aceitas e ficarão felizes com isso. Mas isso nega toda a sua identidade particular ao emprestar características alheias que ilusoriamente as fazem completas.<br />
Este movimento da sociedade é também analisado por Zygmunt Bauman em seu livro Vida para consumo (Zahar, 2008), no qual cita que as relações humanas são invadidas por visões de mundo e padrões de conduta moldados pelo mercado de consumo. As regras, que antes eram estabelecidas para controle social, agora são impostas para a construção de identidades. Forma-se uma nova sociedade de consumidores, em que os indivíduos se tornam ao mesmo tempo promotores das mercadorias que consomem e também as próprias mercadorias, já que elas são vendidas de forma a fazer parte do seu universo.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09189_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-59" title="DSC09189_resize" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09189_resize.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" width="199" height="300" /></a></p>
<p>Joyce é mais inteligente do que o sistema e não se deixa levar por ele. Por isso, ela pode ser considerada uma das pessoas que se mantêm longe das garras dominadoras do capitalismo. Um exemplo disso é o curioso hábito de Joice, que em suas idas ao supermercado, não compra produtos que custam mais de R$2. “É simples. A maioria dos produtos que necessitamos custa esse preço. Um exemplo é a massa de tomate. Até existem massas de tomate mais caras, mas porque eu vou pagar mais caro por um elefante se o que vai dar sabor ao meu molho é a massa de tomate?”. Realmente, muito simples. Admirei Joice por essa simples e consciente conclusão. Ela também compra suas roupas em brechós e quando suas vendas não dão lucro algum, ela vai para casa a pé, o que leva duas horas de caminhada. Joice é guerreira.</p>
<p>Ao me despedir dela, Joice me pergunta se eu já ouvi a música “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas. Claro que já ouvi. Ela diz que é com aquilo que ela concorda e é aquilo que ela vive em seu dia a dia.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/26/joice/"><img src="http://img.youtube.com/vi/w0kyHofynDs/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/56/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/56/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=56&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Carlos</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 18:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que iniciei meus estudos sobre consumo, minhas ideologias sempre discordaram da lógica gananciosa da sociedade capitalista de compra e venda, oferta e procura. Passei a fazer um olhar crítico sobre este mundo ocidental em que vivemos baseados na troca de mercadorias e na ostentação dos prazeres materiais e simbólicos. Minhas observações transcendiam o ambiente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=47&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que iniciei meus estudos sobre consumo, minhas ideologias sempre discordaram da lógica gananciosa da sociedade capitalista de compra e venda, oferta e procura. Passei a fazer um olhar crítico sobre este mundo ocidental em que vivemos baseados na troca de mercadorias e na ostentação dos prazeres materiais e simbólicos. Minhas observações transcendiam o ambiente acadêmico e se espalhavam por todos os lugares, inclusive em minhas redes sociais, nas quais publicava todo e qualquer pensamento meu ou alheio sobre a sociedade de consumo. Foi assim que chamei a atenção do meu primeiro entrevistado, sem nem mesmo saber que um dia eu seria responsável por este projeto e que ele se ofereceria espontaneamente a participar.</p>
<p>O empresário Carlos Canto, 48 anos, é conhecido por sua rede de Óticas São José, com lojas espalhadas por todo o Brasil. A empresa iniciou suas operações com seu pai há 42 anos, em São José dos Pinhais, no Paraná. São 45 lojas próprias e 11 franquias nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo Minas Gerais e Amapá. Questionado sobre a expansão visível de seu negócio, Carlos relatou que o mercado de saúde visual sofreu um avanço com o enriquecimento das classes C e D e ainda tem uma expectativa de crescimento exponencial durante os próximos 5 anos, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, Nestes estados existe uma situação de pleno emprego, já que a taxa de desemprego é menor que 4%.</p>
<p>Atualmente, Carlos reside em Curitiba com a esposa e tem 4 filhos, 2 próprios e 2 adotados. Graduou-se em Optometria, Economia e Direito. Observando o negócio de sua família, ao perceber que “a roda já estava inventada”, como ele mesmo cita, Carlos e um de seus irmãos assumiram as empresas. Ele fala com orgulho de sua família ao relatar o exemplo de seu pai, que apesar de não estudado por falta de condições e começado sua carreira como camelô, tornou-se um empreendedor bem sucedido. Carlos convive diariamente com seus pais e sua família, cuja origem italiana baseia-se em valores como a união e o afeto.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09317_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-48" title="Reunião do Rotary Club Manchester de Joinville" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09317_resize.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Acompanhei o empresário em uma de suas reuniões de Rotary, instituição a qual é associado há vários anos. O Rotary Internacional é um clube de prestação de serviços humanitários, que objetivam fomentar a ética nos negócios e promover a paz mundial. “Vejo no Rotary uma filosofia, um estilo de vida. Para mim, o Rotary é um porto seguro que se confunde com minha família de sangue”, relata Carlos. Segundo ele, o grupo o permite devolver à sociedade um pouco daquilo que ela o tem dado com tanta intensidade. Ele o considera tão importante ao ponto de deslocar-se semanalmente para Joinville, enfrentando o trânsito e as horas de viagem para estar presente nas reuniões.</p>
<p>Para Carlos, filosofia e estilo de vida é o estudo de sua forma de ser. “É assim que eu pretendo me expressar na sociedade e como eu me esforço para ser interpretado. Quero ser visto como tal, como rotariano”. O empresário deixa claro que sua identificação com o Rotary permeia todas suas outras relações sociais, demonstrando muita segurança na afirmação de seus valores, que respeitam as diferenças e, acima de tudo, as considera importantes para o convívio em sociedade. “Eu compreendo as pessoas e não julgo ninguém. Para mim, ninguém está certo nem errado. Cada um tem sua opção e escolhe o que é melhor para si”, afirma ele.</p>
<p>Essas podem ser consideradas as características-chave para uma sociedade formada por indivíduos de bom-senso. Porém, em minha opinião, apoiada na visão de diversos filósofos contemporâneos, esta ilusão de sociedade está cada vez mais fadada ao desaparecimento. O culto à individualidade, amplamente fomentado pela cultura de consumo capitalista com suas estratégias de marketing e publicidade, informa ao indivíduo que ele precisa alcançar o sucesso a qualquer custo. Ao mesmo tempo, o capitalismo o oferece todas as alternativas para que construa a sua identidade, alcance o sucesso, e com isso, se torne melhor que os outros.</p>
<p><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09328_resize.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-49" title="Carlos fala ao seu grupo na reunião do Rotary" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/12/dsc09328_resize.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a></p>
<p>Esta lógica está diretamente ligada à teoria da sociedade líquido-moderna sobre a qual o contemporâneo Zygmunt Bauman, o teórico central de minha pesquisa, aborda em toda a sua obra. Este tempo de angústias, de velocidade, de efemeridade e de incertezas em que vivemos é o que basicamente a caracteriza, ou como o próprio sociólogo explica em seu livro <em>44 cartas do mundo líquido moderno</em> (Zahar, 2011), “o mundo que chamo de ‘líquido’ porque, como todos os líquidos, ele jamais se imobiliza nem conserva sua forma por muito tempo.”</p>
<p>Quando questionado sobre a falta, na sociedade atual, dos valores que pratica, Carlos discorda do que as teorias de Bauman sugerem e se mostra otimista. “Eu penso que a sociedade está evoluindo. Não sou daqueles pessimistas que dizem que estamos piores. Eu penso que estamos melhores, menos violentos, mais humanos, mais ecológicos. Estamos nesse planeta com o único propósito de evoluir.” Ao citar a evolução do homem, Carlos compara o momento atual à sociedade de castas de antigamente, em que não havia liberdade de ascensão social. Ele confessa que os erros e as condutas impróprias ainda estão presentes, mas já não são mais tão fortes. Um exemplo disso é a ocupação desordenada do planeta, umas de suas maiores preocupações que, felizmente, é motivo de atenção da sociedade. Porém, o importante é considerar que a dispersão de rótulos culturais, como a submissão feminina e à divisão de classes, é o que condiciona o ser humano a ser melhor em suas ações.</p>
<p>O discurso confiante de Carlos parece estar diretamente ligado a outra teoria de Bauman que diz que um dos objetivos do sistema capitalista dentro da sociedade de consumo é manter sempre um universo de prosperidade e progresso. No caso de Carlos, suas opiniões estão longe de terem esta influência. Elas estão muito mais ligadas à sua maneira particular de olhar o mundo. Desta forma, quando percebi que a sua identidade demonstra estar muito bem construída, resolvi questioná-lo sobre sua visão da felicidade. “Para mim, as saudades são o rastro da felicidade. Se você foi feliz, você teve saudades. Nas coisas que você não foi feliz, você nem se esforça por lembrá-las.” Ao citar Deus, Carlos reafirma que estamos neste mundo para progredir e nos tornar pessoas melhores.</p>
<p>Foi então que eu encontrei nesta afirmação uma possibilidade de refletir, junto a Carlos, se o ser humano está mesmo progredindo, já que ele mesmo tem uma forte preocupação ambiental. Ele então justificou o problema da ocupação do planeta com a imaturidade do homem em buscar valores materiais e, até mesmo, concordou que essa busca ocorre em detrimento dos valores morais e espirituais. “O indivíduo submete-se ao capitalismo para buscar na posse o que acha que lhe trará segurança, status, evidências de quem ele é.” Claramente, isto está ligado à construção da identidade na busca da felicidade. Assim, Carlos se diz consciente de que realmente participa e se submete a este universo de aparências justamente por sua posição social, que o obriga a consumir. “Somos fruto de um sistema que nos cobra. O que é verdade hoje não será ano que vem. Sou uma vítima da sociedade consumista. Ando com uma BMW, ando com uma roupa da moda. A sociedade diz que os parâmetros são esses. Não serei hipócrita em negar que eu me submeto ao capitalismo.”</p>
<p>A entrevista foi, de fato, muito produtiva. Passei a admirar Carlos por seus valores morais e, principalmente, por sua consciência de que, por mais cruel que isso pareça, não conseguimos viver longe da influência da sociedade capitalista de consumo. Apesar disso, somos livres para buscar nossa própria felicidade independente de quem sejamos.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/25/carlos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Vg6_evF5zoY/2.jpg" alt="" /></a></span>
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			<media:title type="html">Reunião do Rotary Club Manchester de Joinville</media:title>
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			<media:title type="html">Carlos fala ao seu grupo na reunião do Rotary</media:title>
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		<title>Paciência</title>
		<link>http://consumologoexisto.wordpress.com/2011/11/24/paciencia/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 16:17:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Arins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras ideias]]></category>

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		<description><![CDATA[O que é paciência para você? A preocupação corriqueira com o tempo que passa. Um sinal de que as coisas vão bem, apesar de tudo. Uma virtude de poucos, praticamente raros. Uma força que nos mantêm seguros de nós mesmos &#8211; e deste mundo de pressa. Esta é a obra mais famosa de Salvador Dali, aquele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=1&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que é paciência para você?</p>
<p>A preocupação corriqueira com o tempo que passa. Um sinal de que as coisas vão bem, apesar de tudo. Uma virtude de poucos, praticamente raros. Uma força que nos mantêm seguros de nós mesmos &#8211; e deste mundo de pressa.</p>
<div id="attachment_33" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/salvador_dali.jpg"><img class="size-medium wp-image-33" title="&quot;A Persistência da Memória', de Salvador Dali (1931)" src="http://consumologoexisto.files.wordpress.com/2011/11/salvador_dali.jpg?w=300&#038;h=225" alt="&quot;A Persistência da Memória', de Salvador Dali (1931)" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;A Persistência da Memória&#039;, de Salvador Dali (1931)</p></div>
<p>Esta é a obra mais famosa de Salvador Dali, aquele pintor catalão mundialmente reconhecido por sua maravilhosa obra surrealista. A flacidez dos relógios, dependurados, escorrendo como se fossem líquidos, quer representar preocupações humanas angustiantes, como o tempo e a memória. Dizem que o artista levou apenas 2 horas para pintá-lo. Sua esposa, ao voltar do cinema, observou o quadro e afirmou que quem o visse, jamais o esqueceria.</p>
<p>Você também. Além desta importante obra de arte e toda a sua representação tão atual,  espero que não esqueça das reflexões que vou propor ao longo dos próximos dias aqui neste blog, com minhas entrevistas. Por isso, não tenha pressa, apenas exercite sua paciência e esteja atento! Por mais sutil que possa lhe parecer, alguma das ideias que eu apresentar aqui certamente faz parte da sua vida.</p>
<p>Até amanhã!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/consumologoexisto.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/consumologoexisto.wordpress.com/1/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=consumologoexisto.wordpress.com&amp;blog=29556241&amp;post=1&amp;subd=consumologoexisto&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">consumologoexisto</media:title>
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			<media:title type="html">&#34;A Persistência da Memória&#039;, de Salvador Dali (1931)</media:title>
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